quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Poemas e seus Autores


Bocage

O Ciúme
 
Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume,
O carrancudo, o rábido Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.
 
Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.
 
Pelas terríveis Fúrias instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides toucado.
 
Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea trança.
 
                                

O poeta asseteado por amor

 
Ó Céus! Que sinto n'alma! Que tormento!
Que repentino frenesi me anseia!
Que veneno a ferver de veia em veia
Me gasta a vida, me desfaz o alento!
 
Tal era, doce amada, o meu lamento;
Eis que esse deus, que em prantos se recreia,
Me diz:A que se expõe quem não receia
Contemplar Ursulina um só momento!
 
Insano! Eu bem te vi dentre a luz pura
De seus olhos travessos, e cum tiro
Puni tua sacrílega loucura:
 
De morte, por piedade hoje te firo;
Vai pois, vai merecer na sepultura
À tua linda ingrata algum suspiro.
 
                               

Invocação à Noite

 
Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:
 
Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem d'amor os sôfregos instantes:
 
Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!
 
Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto.
 
                            
 
Desejo Amante

 
Elmano, de teus mimos anelante,
Elmano em te admirar, meu bem, não erra;
Incomparáveis dons tua alma encerra,
Ornam mil perfeições o teu semblante:
 
Granjeias sem vontade a cada instante
Claros triunfos na amorosa guerra:
Tesouro que do Céu vieste à Terra,
Não precisas dos olhos de um amante.
 
Oh!, se eu pudesse, Amor, oh!, se eu pudesse
Cumprir meu gosto! Se em altar sublime
Os incensos de Jove a Lília desse!
 
Folgara o coração quanto se oprime;
E a Razão, que os excessos aborrece,
Notando a causa, revelara o crime.
 
                           
 
 
 
Biografia

 
Manuel Maria de Barbosa l´Hedois Du Bocage
(1785-1805)

Manuel Maria Barbosa du Bocage nascido em Setúbal às três horas da tarde de 15 de Setembro de 1765, neto de um Almirante francês que viera organizar a nossa marinha,  filho do bacharel José Luís Soares de Barbosa, que foi juiz de fora, ouvidor, e depois advogado e de Mariana Lestoff du Bocage, cedo revelou a sua sensibilidade literária, que um ambiente familiar propício incentivou.
Sua mãe era segunda sobrinha da célebre poetisa francesa, madame Marie Anne Le Page du Bocage, tradutora do Paraíso de Milton, imitadora da Morte de Abel, de Gessner, e autora da tragédia As Amazonas e do poema épico em dez cantos A Columbiada, que lhe mereceu a coroa de louros de Voltaire e o primeiro prémio da academia de Rouen.
Apesar das inúmeras biografias publicadas após a sua morte, uma boa parte da sua vida permanece um mistério. Não sabemos que estudos fez, embora se deduza da sua obra que estudou os clássicos e as mitologias grega e latina, que estudou francês e também latim. A identificação das mulheres que amou é muito duvidosa e discutível.
Aos 16 anos assentou praça no regimento de infantaria de Setúbal e aos 18 alistou-se na Marinha, tendo feito o seu tirocínio em Lisboa e embarcado, posteriormente, para Goa, na qualidade de oficial.
Em 14 de Abril de 1786, embarcou como oficial de marinha para a Índia, na nau “Nossa Senhora da Vida, Santo António e Madalena”, que fez escala no Rio de Janeiro (finais de Junho) e na Ilha de Moçambique (início de Setembro) e chegou à Índia em 28 de Outubro de 1786. A sua estadia neste território caracterizou-se por uma profunda desadaptação. Com efeito, o clima insalubre, a vaidade e a estreiteza cultural que aí observou, conduziram a um descontentamento que retratou em alguns sonetos de carácter satírico.
Em Pangim, frequentou de novo estudos regulares de oficial de marinha. Foi depois colocado em Damão, mas desertou, embarcando para Macau. Estranhamente, não foi punido e deverá ter regressado a Lisboa em meados de 1790.
 Na capital, vivenciou a boémia lisboeta, frequentou os cafés que alimentavam as ideias da revolução francesa, satirizou a sociedade estagnada portuguesa, desbaratou, por vezes, o seu imenso talento.  
Em 1791, publicou o seu primeiro tomo das Rimas, ao qual se seguiram ainda dois, respectivamente em 1798 e em 1804. No início da década de noventa, aderiu à "Nova Arcádia", uma associação literária, controlada por Pina Manique, que metodicamente fez implodir. Efectivamente, os seus conflitos com os poetas que a constituíam tornaram-se frequentes, sendo visíveis em inúmeros poemas cáusticos.
 Em 1797, Bocage foi preso por, na sequência de uma rusga policial, lhe terem sido detectados panfletos apologistas da revolução francesa e um poema erótico e político, intitulado "Pavorosa Ilusão da Eternidade", também conhecido por "Epístola a Marília".
 Encarcerado no Limoeiro, acusado de crime de lesa-majestade, moveu influências, sendo, então, entregue à Inquisição, instituição que já não possuía o poder discricionário que anteriormente tivera. Em Fevereiro de 1798, foi entregue pelo Intendente Geral das Polícias, Pina Manique, ao Convento de S. Bento e, mais tarde, ao Hospício das Necessidades, para ser "reeducado". Naquele ano foi finalmente libertado.
Em 1800, iniciou a sua tarefa de tradutor para a Tipografia Calcográfica do Arco do Cego, superiormente dirigida pelo cientista Padre José Mariano Veloso, auferindo 12.800 réis mensalmente.
A partir de 1801, até à morte por aneurisma, viveu em casa por ele arrendada no Bairro Alto, naquela que é hoje o nº 25 da travessa André Valente.
A sua saúde sempre frágil, ficou cada vez mais debilitada, devido à vida pouco regrada que levara. Em 1805, com 40 anos, faleceu na Travessa de André Valente em Lisboa, perante a comoção da população em geral. Foi sepultado na Igreja das Mercês.

Adélia Prado

Amor feinho

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.

Com licença poética


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

 
A Serenata


Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardin.
Estou no começo do meu dessespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

 
 
Casamento


Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

 
 
 
Biografia


Adélia Prado (1936-) é uma escritora e poeta brasileira. Recebeu da Câmara Brasileira do Livro, o Prêmio Jabuti de Literatura, com o livro "Coração Disparado", escrito em 1978. Mineira de Divinópolis, sua obra recria numa linguagem despojada e direta, a vida e as preocupações dos personagens do interior mineiro.
Adélia Prado (1936-) nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de dezembro. Filha de João do Prado Filho, ferroviário, e de Ana Clotilde Correa. Estudou no Grupo Escolar Padre Matias Lobato. Aos 14 anos, já escrevia seus primeiros versos. Ingressa na Escola Normal Mario Casassanta e em 1953 forma-se professora. Em 1955 começa a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Melo Viana Sobrinho.
Em 1958 casa-se com o bancário José Assunção de Freitas, com quem tem cinco filhos. Ingressa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e em 1973 forma-se em Filosofia. Publica seus primeiros poemas em jornais de Divinópolis e de Belo Horizonte. Em 1971 divide com Lázaro Barreto a autoria do livro "A Lapinha de Jesus". Sua estreia individual só veio em 1975, quando remete para Carlos Drummond de Andrade os originais de seus novos poemas. Impressionado com suas poesias, envia os poemas para a Editora Imago. Publicado com o nome "Bagagem", o livro de poemas chama atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo.
Em 1976 o livro é lançado no Rio de Janeiro, com a presença de importantes personalidades como Carlos Drummond de Andrade, Affonso Romano de Sant'Anna, Clarice Lispectro, entre outros.
Em 1978 escreve "O Coração Disparado", com o qual conquista o Prêmio Jabuti de Literatura, conferido pela Câmara Brasileira do Livro. Nos dois anos seguintes, dedica-se à prosa, com "Solte os Cachorros" em 1979 e "Cacos para um Vitral" em 1980. Volta à poesia em 1981, com "Terra de Santa Cruz".
Entre 1983 e 1988 exerce a função de Chefe da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis. Publica
"Componentes da Banda" em 1984. Em 1985, participa em Portugal de um programa de intercâmbio Cultural entre autores brasileiros e portugueses. Em 1988 apresenta-se em Nova York na Semana Brasileira de Poesia, promovida pelo Comitê Internacional pela Poesia.
Em 1993 volta para Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis. Em 1996 estreia no Teatro do SESI em Belo Horizonte, a peça "Duas horas da tarde no Brasil". Em 2000, em São Paulo, apresenta o monólogo "Dona de Casa". Em 2001, no SESI do Rio de Janeiro, apresenta um Sarau onde declama poesias do livro "Oráculos de maio".
Entre outras obras publica, Quero minha mãe, em 2005; A duração do dia, em 2010 e Carmela vai à escola, em 2011.


Drummond de Andrade


Para Sempre


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.



JOSÉ


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?



As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.



Ao Amor Antigo


O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.



Biografia


Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro [Itabira] MG, 1902 - Rio de Janeiro RJ, 1987) formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista. Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.



Vinícius de Moraes


Soneto de Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.





“Se você quer ser minha namorada
Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.”



Chega de Saudade


Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim



O verbo no infinito


Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer de tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...



Biografia



Vinicius de Moraes (1913-1980) foi um poeta e compositor brasileiro. "Garota de Ipanema", feita em parceria com Antonio Carlos Jobim, é um hino da música popular brasileira. Foi também diplomata e dramaturgo.
Vinicius de Morais (1913-1980) nasceu no Rio de Janeiro, no dia 19 de outubro de 1913. Filho de funcionário público e poeta Clodoaldo Pereira da Silva e da pianista Lídia Cruz. Desde cedo, já mostrava interesse por poesia. Ingressou no colégio jesuíta, Santo Inácio, onde fez os estudos secundários. Entrou para o coral da igreja, onde desenvolveu suas habilidades musicais. Em 1929, iniciou o curso de Direito da Faculdade Nacional do Rio de Janeiro.
Em 1933, ano de sua formatura, publica "O Caminho Para a Distância". Não exerceu a advocacia. Trabalhou como censor cinematográfico, até 1938, quando recebe uma bolsa de estudos e foi para Londres. Estudou inglês e literatura na Universidade de Oxford. Trabalhou na BBC londrina até 1939.
Várias experiência conjugais marcaram a vida de Vinicius. Casou-se nove vezes e teve cinco filhos. Suas esposas foram, Beatriz Azevedo, Regina Pederneira, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nellita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues e a última Gilda Matoso.
Em 1943 é aprovado no concurso para Diplomata. Vai para os Estados Unidos, onde assume o posto de vice-cônsul em Los Angeles. Escreve o livro "Cinco Elegias". Serviu sucessivamente em Paris, em 1953, em Montevidéu, e novamente em Paris, em 1963. Volta para o Brasil em 1964. É aposentado compulsoriamente em 1968, pelo Ato Institucional Número Cinco.
De volta ao Brasil, dedica-se à poesia e à música popular brasileira. Fez parcerias musicais com Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto, Francis Hayme, Carlos Lyra e Chico Buarque. Entre suas músicas destacam-se: "Garota de Ipanema", "Gente Humilde", "Aquarela", "A Casa", "Arrastão", "A Rosa de Hiroshima", "Berimbau", "A Tonga da Mironga do Kaburetê", "Canto de Ossanha", "Insensatez", "Eu Sei Que Vou Te Amar" e "Chega de Saudade".
Compôs a trilha sonora do filme Orfeu Negro, que foi premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 1961, compõe Rancho das Flores, baseado no tema Jesus, Alegria dos Homens, de Johann Sebastian Bach. Com Edu Lobo, ganha o Primeiro Festival Nacional de Música Popular Brasileira, com a música "Arrastão".
A parceria com o músico Toquinho foi considerada a mais produtivas. Rendeu músicas importantes como "Aquarela", "A Casa", "As Cores de Abril", "Testamento", "Maria Vai com as Outras", "Morena Flor", "A Rosa Desfolhada", "Para Viver Um Grande Amor" e "Regra Três".
É preciso destacar também sua participação em shows e gravações com cantores e compositores importantes como Chico Buarque de Holanda, Elis Regina, Dorival Caymmi, Maria Creuza, Miúcha e Maria Bethânia. O Álbum Arca de Noé foi lançado em 1980 e teve vários intérpretes, cantando músicas de cunho infantil. Esse Álbum originou um especial para a televisão.
A produção poética de Vinícius passou por duas fases. A primeira é carregada de misticismo e profundamente cristã, como expressa em "O Caminho para a Distância" e em "Forma e Exegese". A segunda fase, vai ao encontro do cotidiano, e nela se ressalta a figura feminina e o amor, como em "Ariana, A Mulher".
Vinícius também se inclina para os grandes temas sociais do seu tempo. O carro chefe é "A Rosa de Hiroshima". A parábola "O Operário em Construção" alinha-se entre os maiores poemas de denúncia da literatura nacional: Pensem na crianças/Mudas telepáticas/Pensem nas mulheres/Rotas alteradas/Pensem nas feridas /Como rosas cálidas.
Marcus Vinícius de Mello Morais morreu no Rio de Janeiro, no dia 09 de julho de 1980, devido a problemas decorrentes de isquemia cerebral.


Obra de Vinícius de Moraes


O Caminho Para a Distância, poesia, 1933
Forma e Exegese poesia, 1936
Novos Poemas, poesia, 1938
Cinco Elegias, poesia, 1943
Poemas, Sonetos e Baladas, poesia, 1946
Pátria Minha, poesia, 1949
Orfeu da Conceição, teatro, em versos, 1954
Livro de Sonetos, poesia, 1956
Pobre Menina Rica, teatro, comédia musicada, 1962
O Mergulhador, poesia, 1965
Cordélia e O Peregrino, tearo, em versos, 1965
A Arca de Noé, poesia, 1970
Chacina de Barros Filho, teatro, drama
O Dever e o Haver
Para Uma Menina com uma Flor, poesia
Para Viver um Grande Amor, poesia
Ariana, a Mulher, poesia
Antologia Poética
Novos Poemas II

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Intercâmbio Bogotá e Medellín-Colômbia

Na semana que segue,nossa escola será representada no Intercâmbio Internacional Colômbia (Bogotá/Medellín).
De 09 à 16 de Setembro de 2012.
Programa Prazer em Ler-Concurso Escola de Leitores.
Duas professoras estarão presentes nesse intercâmbio,a Professora Catia Ramos(Língua Portuguesa)  e a Professora Roselaine Aquino(Coordenadora Pscicopedagógica).

Por que uma viagem de intercâmbio à Colômbia?

A Colômbia é considerada um país-modelo em políticas de promoção da leitura na história recente da América Latina. Uma das principais ações nesse campo é a formação de redes de bibliotecas públicas e comunitárias. As redes visam fortalecer as bibliotecas e facilitar o acesso dos usuários aos acervos via internet.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Visão dos Alunos sobre o Livro O Tempo e o Vento



Ana Terra
Minéia T. 311
A família continuava com sua rotina, com as lidas do campo. Ana ficou feliz ao ver seu pai abraçar o neto. Nesse momento alguém chega galopando e desesperado avisa que os castelhanos estão vindo. Os homens pegam suas armas e se preparam para a luta; as mulheres e o menino Pedro, filho de Ana vão para uma caverna onde se esconde.



A História do Tempo e Vento
Paulo Renato T. 309
         Os castelhanos invadiram as terras da Família de Ana Terra e mataram o pai e os dois irmos dela. Ana Terra ficou sozinha para criar o filho e cuidar da cunhada. Sorte dela que passaram uma turma de  tropeiros que levaram ela junto para uma nova povoação.



Ana Terra
Anselmo T. 311
         Ana passou por um momento muito difícil da sua vida, quando viu tudo sendo destruído pelos espanhóis que mataram toda sua família, destruíram sua casa, mataram seu pai e seus irmãos.
         Ela também perdeu sua mãe que teve uma morte silenciosa que sua cunhada pensou que ela estava brincando de morta. Ana viu que realmente sua mãe tinha morrido então, Ana enterrou sua mãe, seu pai e seus irmãos.
Então ela pegou sua cunhada e seu filho e foram para o que tinha sobrado na verdade não tinha sobrado nada a não ser as paredes da sua casa.
Eu imagino que ela arrumou um lugar ali para abrigar seu filho e sua cunhada. Até que um certo dia apareceu uma família que estava indo para um certo lugar chamado Santa fé, onde eles iriam fundar um povoado nas terras que eles tinham ganhado da família Amaral.
Então ela se foi com aquela família. Ele perguntou o que ela sabia fazer.          Ela disse que era parteira e fiava.
         Daí ela foi tentar uma vida nova com seu filho e sua cunhada.



 O Romance de Ana Terra
Gerônimo T.311

A história de Ana Terra, uma moça do interior e de família humilde, que morava num rancho, juntamente com seus pais Maneco e D. Henriqueta, e seus dois irmãos, Horácio e Antônio.
Naquele tempo tudo era mais difícil e além disso o povo português vivia no Rio Grande do Sul, constantemente preocupados com os espanhóis, chamados de castelhanos que andavam em grupos pelo interior do RS buscando conquistar terras, propriedades. Esse povo por onde passa fazia guerras, atacava e causava destruição. Também havia outros grupos os quais eram constituídos pelos portugueses que lutavam contra os castelhanos.
Certo dia, apareceu um índio ferido na sanga, onde Ana estava lavando roupas, prontamente ela foi  e avisou sua família. Então levaram o índio, o qual se chamava Pedro e curaram seus ferimentos. Depois disso, Maneco resolveu permitir que Pedro ficasse morando na sua terra. Mais tarde Ana terra ficou grávida de Pedro, e quando seu pai Maneco terra descobriu ordenou que seus dois filhos matassem Pedro e assim foi feito por causa da honra da família.
Certo dia, depois que o filho de Ana já havia nascido e estava crescendo, chegaram os castelhanos e cercaram o rancho da família Terra, então aconteceu que os espanhóis ou castelhanos acabaram matando Horácio, Antônio e seu pai Maneco e seus dois escravos e também violentaram Ana Terra e botaram fogo no rancho.
A mãe de Ana terra veio a falecer de doença, e sua cunhada ficou cega de uma hora para outra. Por fim Ana, seu filho, e sua cunhada ficaram nas ruínas do rancho, até passar uma família de boiadeiros que estavam indo para a região das missões. Aonde haviam ganhado um pedaço de terra da família Amaral a qual estava para  fundar uma cidade chamada Santa Fé.



Ana Terra e Família
Leda T.313
         Ana ficou grávida de um índio. O pai e os irmãos quando souberam da gravidez que era de um índio mataram o índio. O índio antes de ser morto deu para Ana Terra um punhal para dar ao filho deles.
         O irmão de Ana ia casar na cidade, mas o pai não deixou Ana ir ao casamento, pois Ana estava grávida e não saberia o que dizer para as outras pessoas.
         Passou o tempo e Ana ganhou a criança na caverna do índio.
         Um dos irmãos de Ana achou que vinham os espanhóis para atacá-los. As mulheres tinham que se esconder, os homens ficaram defendendo a casa e Ana depois de esconder o filho, a mãe e a cunhada, voltou para ajudar os homens.
         Os espanhóis mataram todos os homens da casa. Ficou Ana viva que foi abusada por todos. Passou um tempo,  e por aquelas bandas passaram os tropeiros que iam Fundar o povoado de Santa Fé e levaram Ana , o filho Pedro e a cunhada junto.



O Tempo e o Vento
Willian T. 313
         Ana só ficava pelo pátio na espera de um marido, via seu pai toda vez com uma cara de brabo e a mãe não falava muito. Um certo dia Ana encontrou Pedro missioneiro estava ferido na água e Ana ajudou o índio levou num lugar escondido para ninguém suspeitar. Então a família descobre que Ana ajudou o índio num lugar escondido para ninguém suspeitar, então a família descobre que Ana estava cuidado quando se recuperou Ana e os índios ficaram mais próximos. Certo dia Ana descobre que está grávida quando viu passar alguns meses Ana descobre que está grávida quando passa alguns meses Ana prestes de ganhar o filho descobre que Pedro, o índio foi morto pelos espanhóis.
          E Ana terra, teve o bebê dentro da caverna sem ajuda de ninguém. Ela cortou o fio umbilical e depois o pai e a mãe ficaram bem tristes.
 Depois teve um ataque dos castelhanos e os dois irmãos de Ana e o pai ficaram dentro de casa  e Ana levou a mãe , o filho Pedro e a cunhada Eulália para se esconder dentro da caverna e entregou o punhal que havia ganhado do índio a sua cunhada para entregar a Pedro, caso ela morresse e voltou para ajudar o restante da família na briga com os espanhóis. Morreram todos, menos Ana, sua cunhada e seu filho. Depois de alguns dias passaram uns cavaleiros que iriam fundar o novo povoado por aquelas bandas e levaram eles juntos.



                                            O que eu aprendi
Clarice Cheiram

         A aula de hoje foi sobre a história do Rio Grande do Sul, contada por Érico Veríssimo com referência ao Tempo e o Vento.
         A história começa com a família  Terra. Ana Terra tem a sua primeira paixão por Pedro Missioneiro, um índio que a família não aprova, mas Ana engravidou. O pai dela mandou os irmãos dar um sumiço no índio. Ana ficou arrasada, mas, teve força para criar o fruto do seu amor.
         Como foi povoado: os padres chegaram conquistando os índios com a religião católica, uma cultura diferente da deles, porque os índios eram os primeiros donos destas terras  e assim eles conquistaram primeiro as crianças e os caciques porque eram os mais velhos.
          Assim, os jesuítas, através dos Espanhóis tomavam conta das terras do nosso Estado porque eles acreditavam que aqui tinha riquezas, mas para os índios a riqueza eram as pessoas.